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Oralidade e espaço público na Italia do Renascimento

[Fonte: Rospocher, Massimo. La voce della piazza. Oralità e spazio pubblico nell'Italia del Rinascimento. p-. 9-29. In: Rospocher, Massimo (org). Oltre la sfera pubblica. Lo spazio della politica nell'Europa moderna. Bologna: il Mulino, 2013.]

 

O espaço é resultado da interação entre lugar físico, objeto e indivíduos (Kumin, 2009), produto tanto dos desenhos da autoridade quanto do agir cotidiano de quem o atravessa.

A praça do Renascimento não era o lugar vazio e geometricamente perfeito descrito nos tratados urbanísticos do Quatrocento. Era um espaço praticado, segundo a definição de De Certeau, modelado pela presença da gente que nele vivia cotidianamente.

A praça representava um potente detonador, não apenas pela reconhecida qualidade sonora que duplicava a força das palavras, mas sobretudo pela potencialidade agregativa.

A praça representa o elemento unificador, real e metafórico, do espaço da oralidade politica.

Bakhtin sublinhava a importância da oralidade no interior dessa arena pública, na forma de discursos e conversações informais, fofocas, canções, produzidos por diversos grupos sociais, profissões. Uma pluralidade que também se manifesta na esfera pública contemporânea.

Considerar hoje a dupla dimensão oral/discursiva e física/material do espaço público da primeira modernidade é essencial para refletir sobre o mundo atual – uma sociedade dominada pelo poder da comunicação, onde a tecnologia modificou a dinâmica da sociabilidade, da participação e da representação política. Uma realidade contemporânea em que o espaço público “virtual” parece conviver com um renascimento da dimensão física da esfera pública, determinada pela nova fruição de modo associado de lugares públicos como as praças.

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