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Democracia online, espaço público, superação de barreiras

Segue tradução livre do artigo publicado no site Cultura Senza Barriere, Universidade de Pádua, que trouxe para mim algo de novo na reflexão sobre a mudança no relacionamento do Estado com o cidadão com o advento da web 2.0. Espero que vc também aprecie.

Ego e Agora: a democracia online para superar as barreiras físicas e políticas

Resumo do seminário Gabriele Cazzulino. Publicado em 09/11/2009 às 07:57

Barreiras e as desigualdades são um elemento central da política. Instituições impõem barreiras em maior ou menor grau para discriminar o acesso ao poder, que continua a ser um monopólio nas mãos de minorias substituídas de modo mais ou menos regular.

A comunicação institucional também bloqueia determinados discursos, como os dissidentes ou distorce algumas palavras “proibidas” porque são incompatíveis com o sistema ideológico dominante. Assim, a política se configura como a gestão de barreiras que permitem a preservação do poder, ao custo de impor desigualdades na sua distribuição.

A rede é um mecanismo para a inclusão. Mas não é apenas uma porta aberta: é também um percurso durante o qual se oferecem possibilidades de comunicação e interação social que transformam os sujeitos envolvidos. A mensagem torna-se uma ação e a comunicação torna-se uma relação social. Assim, a rede torna-se um espaço público, de acordo com uma “media-morfose” da web: de emaranhado de cabos a fenômeno de massa portador de uma visão de si e do mundo.

Nesse processo de inclusão também a identidade pessoal é redefinida sob a forma de comunicação. As identidades virtuais tendem a descolar-se das reais, porque oferecem muito mais possibilidades de interação e expressão pessoal.

O ponto central é que a identidade online pode emancipar-se das barreiras da realidade. Ainda que limitado pela deficiência ou obstáculos físicos, uma vez online, Ego tem a oportunidade de experimentar uma “alteridade” a partir de si mesmo e de si mesmo. Pode, portanto, reelaborar a sua identidade e superar as barreiras, tanto pessoais como políticas. De fato, na identidade pessoal também estão contidos elementos sociais, como a relação com a política.

Então, a rede e a democracia online desmobilizam barreiras físicas e desigualdades políticas, porque redefinem seja a identidade pessoal seja a interação social.

Todavia a rede não é o fim de todas as barreiras. É uma tentativa de superar as desigualdades políticas e as barreiras físicas. A conexão à rede estabelece também uma nova conexão com o mundo e, por isso mesmo, também com a política. Participar da vida pública e participar da vida tornam-se sinônimos – online.

A rede concretiza a possibilidade de viver e fazer política para além das velhas barreiras, físicas e sociais. A democracia online torna-se, desse modo, o projeto de uma cidadania digital, com diferentes direitos e deveres em relação àqueles da cidadania baseada na soberania do Estado.

O ego na ágora: a web tece pessoal e social. Na Rede, o fortalecimento da pessoa, para além das barreiras físicas, dá base ao fortalecimento do cidadão, para além das desigualdades de poder.

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