Encorajando governos locais a atuarem de forma aberta

16, abril, 2012 Sem comentários

Estudantes do Estado de Utah (EUA) lançaram o projeto Utah Transparency destinado a estimular a adesão de governos locais a práticas de transparência.

Recomenda-se que os governos locais disponham de uma página web dedicada ao governo aberto. A página deve, entre outras coisas:

  • proporcionar um repositório de toda a informação pública de maneira pesquisável, classificável e com opção de download
  • conter um índice pesquisável ou catálogo de toda informação governamental
  • permitir acesso à informação em três cliques ou menos
  • prover fórum interativo que permita aos cidadãos sugerirem ideias que promovam a transparência e a melhoria da coleta, retenção, agregação, validação e disseminação de informações sobre a cidade
  • dar acesso, em um formato pesquisável, a todas as regras sobre a cidade, assim como seus códigos, políticas e procedimentos
  • conter política de privacidade, incluindo notificação de qualquer colocação de cookies ou outro método de coleta de rastreamento ou informações
  • empregar autenticação e data/hora para divulgação da atualidade da informação, do responsável por sua manutenção e atualização, além de informações sobre a pessoa de contato
  • conter organograma e descrição de departamentos e unidades administrativas do governo, bem como informações de contato
Governos locais devem ainda: Leia mais…

Esfera pública em rede e ações mediadas por tecnologias digitais

10, abril, 2012 Sem comentários

Durante três anos o Berkman Center for Internet & Society (Universidade de Harvard) investigou o papel da Internet na sociedade russa. Para tanto testou e integrou várias abordagens metodológicas. Os achados da pesquisa Exploring Russian Cyberspace:  Digitally-Mediated Collective Action and the Networked Public Sphere estão disponíveis no site do Berkman Center.

 Focalizando em dois aspectos da atividade online – a esfera pública em rede e a ação coletiva digitalmente mediada, a pesquisa explorou a estrutura das redes, a participação nesse universo, o conteúdo de discursos, as comunidades e a percepção dos participantes online.

Conforme o paper da pesquisa, para Yochai Benkler a esfera pública em rede se constitui no conjunto de práticas que membros de uma sociedade usam para comunicar assuntos que consideram ser de interesse público e que necessitam de ação ou reconhecimento coletivo (The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom, 2006). Atributos da esfera pública em rede incluiriam acesso universal, potencial formação de agenda de baixo para cima (bottom-up), filtragem da potencial relevância política, credenciamento (credibilidade), síntese da opinião pública e independência de controle governamental. Já a ação coletiva mediada digitalmente incluiria atividades variadas, como protestos políticos, movimentos sociais, formação de novas organizações da sociedade civil. Leia mais…

Como tudo está conectado

3, abril, 2012 Sem comentários

Ótima leitura o livro de Albert-László Barabási, Linked – A ciência dos networks (2003, em inglês), indicada para os não matemáticos se familiarizarem com a “ciência das redes”, conforme sugestão de Carlos Medicis Morel, numa apresentação que fez em novembro do ano passado, num evento sobre redes de pesquisadores, realizado pelo Next – Núcleo de Experimentação de Novas Tecnologias da FioCruz.

Diz Barabási: ”Embora as redes reais não sejam aleatórias, acaso e aleatoriedade jogam um importante papel em sua constituição. Redes reais não são estáticas. Crescimento joga um papel chave no desenho de sua topologia. Elas não são tão centralizadas como redes em estrela são. Mais ainda, há uma hierarquia de hubs que mantém essas redes juntas, um nó fortemente conectado seguido de perto por muitos nós menos conectados, seguidos por dúzias de nós ainda menores. Nenhum nó central se situa no meio da teia, controlando e monitorando cada link ou nó. Não há um único nó cuja remoção quebre a teia. Tampouco há um design meticuloso por trás dessas redes.”

Sobre falhas:

“Hoje, virtualmente, cada país na Terra está conectado à Internet. A crescente interação entre arquitetura de rede e protocolos apresenta o seguinte quadro: poucos bem-treinados crackers poderiam destruir a rede em 30 minutos a partir de algum lugar do mundo. Derrubar alguns poucos nós maiores pode não ser suficiente para quebrar a rede, mas uma cascata de falhas em outros roteadores, resultante da redireção do tráfego para nós menores, poderia concluir esse trabalho.”

Prossegue:

“Redes reais são auto-organizadas. Elas oferecem um exemplo de como ações independentes de milhões de nós e links levam a comportamentos emergentes. A robustez das leis que governam a emergência de redes complexas é a explanação para a ubiquidade da topologia sem escalas, descrevendo sistemas como redes por trás da linguagem, links entre proteínas na célula, metabolismo das células, a Internet, Hollywood, a Web…”

O que há de novo: Leia mais…

Chile – Portal de Dados Abertos

29, março, 2012 Sem comentários

Vimos aqui que o Chile tem se posicionado entre os países líderes em iniciativas de e-Participação. Agora o governo chileno lança o portal de dados públicos, uma iniciativa de Governo Aberto. Ainda em versão beta, o portal, além do Catálogo de Dados, mostra alguns exemplos de aplicações com uso desses tipos de dados.

Chile - portal de dados abertos

 

O design me pareceu muito simples e eficiente. Além disso, o portal convida, dá destaque e, portanto, estimula a colaboração via envio de comentários.

Até dia 31 de março estará aberta consulta pública de norma técnica para a publicação de dados públicos naquele país. Diz o documento, em sua introdução, que se atribui ao governo britânico o início de iniciativas dessa natureza com o Opening up Government, de 2010. Antes disso, em 2003, a Diretiva 2003/98/CE2 da União Europeia já tratava da reutilização de informações do setor público.

Num contexto de adesão de vários países, com a liderança do Reino Unido e dos Estados Unidos, agora o governo do Chile aumenta o acesso dos cidadãos a dados públicos através deste portal de Dados Abertos.

Sites de dados abertos

Open Government Partnership.org

Chile – do Estado secreto ao Estado aberto

Iniciativa brasileira

Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web

20, março, 2012 Sem comentários


Todos@Web - Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web

Com o objetivo de promover nacionalmente a acessibilidade na web, o W3C Brasil realizará o primeiro Prêmio Nacional de Acessibilidade na Web, em parceria com a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento e a ABRADI - Associação Brasileira das Agências Digitais e Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência – São Paulo.

As inscrições se encerram no próximo 31 de março.

Convergindo com as iniciativas do governo eletronico brasileiro, o Guia 2i2p traz recomendações sobre acessibilidade.

e-Participação em websites de governo

19, março, 2012 Sem comentários

A pesquisa em e-Gov 2012 das Nações Unidas apresenta a lista de países líderes em e-Participação. E observa que, com o uso de ferramentas de consulta, incluindo mídias sociais, alguns países em desenvolvimento se destacaram como líderes, notavelmente Bahrain, Egito, Emirados Árabes Unidos, Colômbia e Chile.

Líderes em e-paticipação

Entre os europeus, o portal do Reino Unido se destaca Leia mais…

e-Gov: abordagem do México

19, março, 2012 Sem comentários

Interessante a abordagem do portal do governo mexicano relevada no relatório de pesquisa e-Gov 2012 das Nações Unidas. O portal é, em si mesmo, um motor de busca que permite aos usuários filtrar conteúdos por imagem, vídeo ou notícia. É capaz também de filtrar outros temas, como leis a nível estadual e federal. Oferece recurso de tradução. Tem ainda uma barra lateral – “O Governo Recomenda” – que sugere páginas úteis aos usuários para que eles possam rapidamente ter acesso à informação, diz o relatório.

A simplificação do design de sítios da administração pública e sua concentração em recursos que favorecem a descoberta de informações e serviços vem sendo praticada, por exemplo, pelo texas.gov, comentado aqui em agosto de 2010.

 

 

e-Governo 2012 – pesquisa das Nações Unidas

16, março, 2012 Sem comentários

O governo eletrônico pode ser um motor de desenvolvimento. Essa é a afirmação do relatório que apresenta os resultados da pesquisa realizada pelas Nações Unidas sobre o governo eletrônico no mundo, publicado recentemente. O envolvimento dos cidadãos é evidenciado pelos recentes progressos do governo eletrônico em um número crescente de países em que os cidadãos são usuários e co-produtores de serviços públicos, diz o estudo.

UN e-Gov survey 2012

A avaliação focalizou o conceito de serviços integrados que exploram interligações entre os diferentes serviços públicos através de um portal (one-stop-shop portal), facilitando a experiência do cidadão, permitindo a integração entre órgãos e departamentos de governo e reforçando mecanismos institucionais.

O estudo releva o fato de que países em desenvolvimento como Cazaquistão (com índice=0,6844), Chile (0,6769), Malásia (0,6703), Colômbia (0,6572), Barbados (0,6566) e Chipre (0,6508) estejam incluídos no grupo de líderes emergente.

Com relação a e-participação, a República da Coreia se manteve no topo da lista (ver pesquisa de 2010), agora dividindo o posto com a Holanda. Em 2010 já havia sido observado o compromisso do Cazaquistão com a e-participação, segundo o relatório. Desde então, esse país subiu 16 posições no ranking e, agora, divide o segundo lugar com Cingapura.

Países top nas Americas

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Plataforma EveryAware – colaboração para o conhecimento do ambiente

12, março, 2012 Sem comentários

A plataforma EveryAware está sendo desenvolvida pela Universidade Roma La Sapienza em conjunto com a UCL – Universidade de Londres, entre outras instituições. A idéia é permitir ao cidadão participar da elaboração de um grande banco de dados enviando informações sobre condições ambientais (poluição sonora, qualidade do ar, etc.) coletadas através de sensores ligados a um smartphone às quais ele pode associar tags, provendo ainda dados baseados em sua própria percepção. A plataforma hospeda experimentos na web, na forma de jogos sociais.

O projeto EveryAware converge com a ideia de ciência com a participação do cidadão, onde esse se engaja diretamente no monitoramento de parâmetros ambientais georreferenciados em seu dia-a-dia. Espera-se desse modo obter informações ambientais relevantes relacionados a padrões de atividades (e de saúde possivelmente) e estimular uma mudança na opinião pública e, individualmente, mudanças no comportamento. Além de ajudar a promover processos de auto-organização, espera-se com isso fazer pressão para a elaboração de políticas que melhorem a qualidade de vida de todos.

Projeto EveryAwarewww.everyaware.eu

Experimentos na webwww.xtribe.eu

ExCitieS – Grupo de pesquisa da UCL em Extreme Citizen Science – ciência colaborativa e participativa – http://www.ucl.ac.uk/excites/

Mapa e Arquitetura da Informação

8, março, 2012 2 comentários

Luca Rosati, que trabalha e é autor de vários livros sobre arquitetura da informação, tem ideias interessantes sobre aplicações de tecnologias no contexto urbano. No seu post Mapa como narrativa (“Mappa, racconto e architettura dell’informazione”) ele diz que o papel da arquitetura da informação tem a ver com contar histórias, criar histórias e tornar visíveis as que já existem, no seguinte sentido:

  • tornar as informações visíveis ou serviços relacionados a locais ou edifícios (para melhorar ou enriquecer a nossa interação com eles) é dizer algo sobre esses elementos para estabelecer caminhos
  • correlacionar, sob diversos pontos de vista, informações sobre diferentes nós da cidade segundo critérios temáticos, de utilidade, etc. Esta seria uma forma ainda mais forte de contar histórias
  • estabelecer correlações, em vários níveis, entre os lugares e objetos da cidade, seu estado (o tráfego, os tempos, etc.) e os itens que pertencem a outros contextos (mídias ou canais) e ao espaço arquitectônico (documentos, contexto social, etc.). Essa seria um tipo de narrativa ainda mais complexa porque se desenvolve em mais dimensões.

Pode-se ainda pensar em histórias em duas direções:

  • de cima para baixo: correlações entre os elementos e informações estabelecidas centralmente por alguém (o governo, o designer, etc.)
  • de baixo para cima: histórias criadas pelos próprios cidadãos.

Internet das coisas, redes sociais, sistemas de georreferenciamento seriam as canetas e o suporte que agora permitem que essas histórias se materializem e sejam depositadas em objetos.

Contar essas histórias é fazer visível as microhistórias das pessoas em sua relação com os objetos da cidade. Devem-se encontrar maneiras de tornar visíveis as diferentes visões da cidade. Como diz o relatório Cities in Transition Forecast & Scenarios do Institute for The Future: uma experiência 4D de cidades, “paisagens urbanas que podem ser navegadas não apenas nas três dimensões espaciais, mas também em uma dimensão de dados – históricos e relacionados ao futuro”.

O vídeo do projeto Urbanflow Helsinki fornece uma ótima síntese, segundo Luca Rosati.